quinta-feira, 24 de julho de 2014

AS ESTRELAS ESTÃO MUDANDO DE LUGAR



      

Nos últimos dias a constelação cultural brasileira está perdendo algumas estrelas que estão se mudando, deixando lacunas, que pelo brilho particular que cada um detinha, jamais será preenchido com igual claridade por outros pensadores.

                                             UBIRATAN TEIXEIRA

           Na manhã de domingo (15.07.2014) quem viajou “’antes do combinado” como diz o grande apresentador Rolando Boldrin foi o escritor maranhense UBIRATAN TEIXEIRA,  aos 83 anos. Ele estava internado no Hospital Geral Tarquínio Lopes Filho, no Centro, em São Luís e lutava contra um câncer de estômago. 

         Com mais de 60 anos no cenário da cultura do Estado do Maranhão, Ubiratan era membro da Academia Maranhense de Letras (AML) (ocupava a cadeira nº 36) e tem 12 livros publicados.  Além de escritor, Ubiratan era teatrólogo, crítico teatral, professor, fotógrafo, professor, jornalista e cronista. Atualmente, o escritor escrevia crônicas para o Jornal O Estado do Maranhão e passou por outros jornais, com o Pacotilha/Globo, Diário do Norte e o Jornal do Dia de Bolso.
         O sepultamento foi realizado na segunda-feira (16) no Jardim da Paz, no Maiobão.

                     JOÃO UBALDO RIBEIRO
 
     No dia 18 de julho, quem nos deixou foi o escritor baiano JOÃO UBALDO RIBEIRO. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), que tem entre suas obras mais conhecidas “Sargento Getulio” e “O sorriso do Lagarto”.
                  
      UBALDO estava com 73 anos quando faleceu. Ele teve uma embolia pulmonar na madrugada de sexta-feira (18.07.2014) e foi sepultado no dia 19 no Rio de Janeiro.
  
       Era formado em Direito desde 1962, pela Universidade Federal da Bahia, porém nunca chegou a advogar.

          Foi professor da Escola de Administração e da Faculdade de filosofia de Universidade Federal da Bahia e a professor de Administração da Universidade Católica de Salvador. Como jornalista, foi repórter, redator, chefe de reportagem e colunista do ‘Jornal da Bahia’ e colunista, editorialista e editor-chefe da ‘Tribuna da Bahia’.

                                                               RUBEM ALVES


        No dia do sepultamento João Ubando Ribeiro, quem também partiu deste plano foi o escritor, teólogo, psicanalista e educador mineiro RUBEM ALVES, que nasceu em 15 de setembro de 1933 e morreu em 19 de julho de 2014. Morava na cidade de Campinas. Seu trabalho educativo foi muito importante e seus livros de crônicas, ensaios e contos, foram traduzidos para outros idiomas: inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e romeno.

         Rubem Alves teve mais de 160 títulos publicados, também amava a poesia e fazia parte de um grupo que se reunia semanalmente para ler poemas. Dizia que existem escolas que são gaiolas e escolas que são asas. As escolas que são asas não ensinam a voar porque o vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

         Vejam um texto de sua autoria, que foi publicado no Jornal folha de São Paulo, falando sobre a morte: Vale a pena refletir:  

"Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo."

                                           ARIANO SUASSUNA


        Já ontem, dia 23.07.2014, foi a fez do escritor paraibano ARIANO VILAR SUASSUNA,  nascido em 16 de junho de 1927 em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba. Era filho de João Suassuna, então governador de seu estado natal. Ariano “encantou-se” às 17h28m, aos 87 anos, vítima de uma parada cardíaca provocada pela hipertensão intracraniana. Ele estava internado no Real Hospital Português, em Recife/PE, desde segunda-feira, depois de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico. O escritor paraibano por nascimento e pernambucano por opção passou por uma cirurgia de emergência, acabou entrando em coma e não resistiu.
         Integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL) deixa seis filhos e 15 netos. Defensor da cultura popular brasileira, era um dos maiores dramaturgos do país, além de autor de romances e poemas. Sua aula espetáculo foi vista e aplaudida por milhares de pessoas em todos os cantos deste país. Foi Secretário de cultura durante os governos de Miguel Arraes e Eduardo Campos.

        O corpo foi velado no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do Estado de Pernambuco e o sepultamento ocorreu no por do sol desta quinta-feira, no Cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, região metropolitana de Recife.
        Tive o prazer de conhecer e conversar com ele em duas oportunidades. A primeira durante a apresentação de sua aula espetáculo no auditório do Fórum Rodolpho Aureliano, em Recife/PE, em evento cultural que também participei como declamador de cordel. Após sua aula me encontrei com o grande professor e o presenteei com uma coleção de cordéis de minha autoria e  claro, tirei algumas fotografias para registrar o momento tão importante para este poeta popular.
Este poeta com Ariano Suassuna, no Fórum Rodolpho Aureliano, em Recife/PE

           O outro encontro foi aqui em Buíque, na manhã do dia 05 de julho de 2012, quando o dramaturgo apresentou ao publico buiquense, na noite anterior sua aula espetáculo. Não conseguindo me aproximar durante o evento, tive o privilégio de ser recebido por ele e sua equipe na Pousada Santos, onde o presenteei mais uma vez. Desta feita com o meu livro “As Janelas do Sobrado” e outra coleção de cordéis de minha autoria. Na dedicatória do livro escrevi assim: 


“Ao amigo SUASSUNA
Ser humano sem “pareia”
Que tem cultura no sangue
Se espalhando em cada veia
Um nordestino valente
Sem medo de cara feia.

Obrigado meu poeta
Por divulgar meu sertão
Receba assim meu presente
Com minha admiração”. 

                         Recebi dele, além do abraço e agradecimento, o incentivo para prosseguir com meus trabalhos culturais. 


                     Ariano foi outro escritor brasileiro que apesar de haver cursado Direito, não seguiu carreira jurídica, preferindo, para nossa sorte, a carreira cultural. 

                        Sem falar nos grandes artistas que foram Jair Rodrigues, João Silva, Dominguinhos, Reginaldo Rossi e tantos outros que cumpriram a sua missão na terra e partiram deixando nosso país mais triste.
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             Obrigado a todos pelos lindos poemas, peças teatrais, músicas e romances que escreveram, tornando o nosso mundo mais bonito.

           

sábado, 3 de maio de 2014

A CAATINGA DECLAMADA - O BLOG "ALAGOAS NA NET" PUBLICOU:

Terça feira, dia 29/04 o blog ALAGOAS NA NET publicou a matéria abaixo, com o cordel de autoria deste poeta, intitulado "A CAATINGA DECLAMADA", trabalho que foi publicado em vários outros blogs e sites do país, inclusive no site da ASCES, onde o autor concluiu o curso de direito em dezembro de 2008, no site do canal FUTURA e outros. Ele foi escrito a pedido da equipe do Núcleo de Sustentabilidade do Tribunal de Justiça de Pernambuco, em comemoração a semana da caatinga. Confiram:
 

 Seguindo a nossa semana cultural em homenagem ao Bioma Caatinga, hoje vamos publicar o texto de um internauta colaborador, da cidade de Buíque, no estado de Pernambuco.


      O profissional formado em Letras e bacharel em Direito, Paulo Tarciso Freire de Almeida, nos enviou uns versos em formato de literatura do cordel onde descreve as belezas deste bioma unicamente brasileiro.
 
    O escritor pernambucano é autor de diversos folhetos de cordel e atualmente possui um blog na internet, que leva seu nome (http://paulocordelbuique.blogspot.com.br). 






                              
 A CAATINGA DECLAMADA

  


Amigos me deem licença
Pois agora eu vou falar
O tema hoje é caatinga
Se quiser pode anotar
Vem do Tupi-guarani
Por isso anote aí
Para depois se lembrar.


“Mata branca” digo agora
É seu significado
Aqui em nosso país
Está bem representado
Nos Estados do Nordeste
Terra de cabra da peste
Vou lhe dizer cada Estado.


Paraíba e Ceará
Pernambuco e na Bahia
Sergipe e Alagoas
Digo mais com alegria
No Estado Piauí
Caatinga tá por ali
Frio a noite fogo ao dia.


Pelo Rio Grande do Norte
Se estende lá a caatinga
Norte de Minas Gerais
Ela por lá predonina
As secas são prolongadas
Poeira sobe na estrada
E o semi árido é o clima.


Ação humana mudou
Cerca de oitenta por cento
Do que era original
Isso digo com lamento
Os recursos naturais
Com isso sofrem demais
As vezes falta alimento.

 
Áreas de conservação
Em número tem trinta e seis
Que é menos de um por cento
Vejam perdemos a vez
De um ar mais natural
E esse calor infernal
Foi o homem que assim fez.


Setecentos e tinta e quatro mil
De quilômetros quadrados
Corresponde a dez por cento
Do território marcado
Dentro do nosso país
O livro assim já me diz
E aqui está confirmado.


Falando em temperatura
São elevadas demais
Entre vinte e cinco graus
E vinte e nove é e outra mais
Solo raso e pedregoso
O clima a noite é gostoso
Rochas na frente e atrás.


As chuvas na região
Vem na chegada do ano
E tudo que estava seco
Vai logo ressuscitando
O mato seco enverdece
Os frutos logo aparece
A esperança voltando.


É que a recuperação
Do bioma em rapidez
Vai sim mudando a paisagem
Pau seco sem cor e vez
Vai logo brotando folhas
Ao ver a água em bolhas
Se acaba a “viuvez”.
  

Os problemas sociais
Na região são presentes
A baixa renda é um deles
Quem vive aqui sei que sente
Até escolaridade
Seja no sítio ou cidade
Pede atenção bem urgente.


Afinal em habitantes
Na caatinga e seus rincões
Vou dizer aproximado
Tem 25 milhões
Falta sim saneamento
Tem ruas sem calçamento
Políticos espertalhões.


Mortalidade infantil
É alto o número, faz pena
É árido até no nome
Mas melhorou sei do lema
Se o povo aprender votar
E muito mais, se cobrar
Vai ver a situação “amena”.


Principal atividade
Na caatinga é a pecuária
Mas com a seca constante
Sem a água necessária
Prejudica a região
Isso já é tradição
O Gonzagão já cantava.


Veja o Rio São Francisco
Um grande libertador
Trazendo água e progresso
Quem da água já usou
Fazendo irrigação
Viu progresso no seu chão
Tem poeta e cantador.


E as plantas da caatinga
Vou citar algumas delas
Xerófilas que se adaptam
À seca mas que são belas
Mas tem também umbuzeiro
E o mandacarú “flexeiro”
E muita planta amarela.


Já a fauna da caatinga
Tem répteis representados
Por lagartos e por cobras
Roedores e por sapos
Tem cutia e tem gambá
Tatupeba e o preá
Arara azul e veados.


Árvores como umburana
Está na vegetação
Tem de 2 a 5 metros
Embeleza a região
As paisagens naturais
Na caatinga tem demais
Turismo boa opção.


A região da caatinga
Tem vaqueiro e aboiador
Violeiro e repentista
Que ao verso dá valor
E foi nessa região
Que viveu o Lampião
Que sua fama deixou.


Você que não conheceu
Não deixe o tempo passar
Marque com a sua turma
E venha sim passear
Conhecer belas paisagens
No São Francisco ás margens
Tomar banho e peixe assar.

 
Obrigado por me ouvirem
E aos que leram o cordel
Foi o que pude escrever
Olhando para esse céu
Azul de um sol escaldante
De um povo forte e vibrante
Pra quem eu tiro o chapéu.

Paulo Tarciso Freire de Almeida
Autor.  Buíque- PE
Escrito em 25.04.2014

Link para conferência: 




sexta-feira, 2 de maio de 2014

UMA AMIGA DE OURO E UM PRESENTE ESPECIAL .



        
      Recentemente ganhei um presente tão especial, da colega de trabalho Nery Lourenço, que não posso deixar de tecer este comentário. Não só por ela, que veio da vizinha Arcoverde para engrandecer a justiça buiquense, mas também pela beleza do presente. Trata-se do CD “MUIRA-UBI – CANTILENAS E SAUDADES”, da dupla arcoverdense PAULINHO LEITE E TONINO ARCOVERDE. 

        O CD é composto de 17 canções da melhor qualidade musical e poética dos últimos dias. Quem gosta de poesia é difícil não se emocionar ao som de “A LISTA”, composição de Oswaldo Montenegro, que ganhou uma nova roupagem na voz da dupla. Outros destaques são “VIOLA FORA DE MODA”, composição de Edu Lobo, “PÉTALAS”, de Alceu Valença e Herbert Viana, “TEMA PARA JULIANA”, de Rolando Boldrin, “CUITELINHO”, de domínio público, composição de Paulo Vanzolini, que nos remete para o cancioneiro Mineiro e a vida nos campos amazonenses, dentre outras.

        Contudo, sem desmerecer as demais musicas, confesso que as que mais arrebataram meus sentimentos de matuto do interior foram “MUIRA-UBI”, composição de Paulinho Leite e RIACHO DO MEL, composta pela dupla Paulinho Leite e Tonino Arcoverde.  Os arranjos em Muira-Ubi, com o som de pegadas de cavalo, cancela se abrindo e o zumbido de disparos nos leva de volta aos velhos filmes de cawboy dos tempos do Cinema. A letra é de uma sensibilidade ímpar. Até eu, que não sou arcoverdense, me senti um nato daquelas terras, ao ouvir falar em: “Olho d’água dos bredos (...), brincar de anel, roda meu pião, soltando pipa, balão, brincar de anel passando de mão em mão (...) as lendas da histórias de Noé, as cacimbas de seu Jé, o queijo e o mel que vendia seu Abdias...

        Quando ouvimos “Riacho do Mel”, se fecharmos os olhos, mergulharemos nas profundezas das águas cristalinas daquele rio, enquanto a alma adulta, que já ingressou no ciclo dos “enta”, regressa aos dias da infância e da inocência, adormecidos ao som lírico da sanfona, violão, violinos e as vozes dos artistas, que ora se separam, ora se unem produzindo um som que perpassa os ouvidos e se infiltra na alma do homem moderno, tão sedento de canções líricas e poéticas, quanto o bebê no colo da mamãe nas madrugadas longícuas e chuvosas, ao som das canções de niná que vão lhe adormecendo no colo suave e quente, como um anjo nos braços do criador. 

        Os arranjos, que contaram com a participação de Cezinha e Orlando Melo, nas sanfonas, João Neto e Vanutti nas guitarras. Trompete, gaita, violinos, contrabaixo e outros instrumentos, além das fotos do encarte. A produção da capa, em tom vermelho e amarelo, com uma índia, tornam, com toda certeza um dos melhores trabalhos musicais do Nordeste.

        Pois bem Nery. Você já me deu vários presentes, mas esse foi mais que especial, porque trata-se daquilo que eu mais aprecio, música, poesia e arte. De quebra apresento meus parabéns aos artistas arcoverdenses, meu chará “PAULINHO” LEITE e TONINO ARCOVERDE, grandes artistas. Parabéns pelo trabalho que só engrandece nossa região. Que venham outros. E VIVA A POESIA!

A amiga Nery Lourenço, em  confraternização com os colegas do fórum em dez/2011.