segunda-feira, 15 de junho de 2026

AO SOM DE EDSON GOMES, BUZINAS DE CARRETAS E DE DEZENAS DE MOTOS BUÍQUE SE DESPEDE DE MAIS UM FILHO QUERIDO, O POPULAR BIDU

 

Na tarde chuvosa de hoje Buíque viveu mais um momento de tristeza e fortes emoções ao sepultar mais um filho querido, o Marcos Ferro, popularmente conhecido como Bidu. Assim como um vaqueiro quando é sepultado, o cortejo é acompanhado de vaqueiros e aboiadores até sua última morada terrena, como a vida inteira de Bidu foi transportando cargas para o sul do país, em veículos conhecidos como “carga pesada”, na tarde de hoje seus amigos fizeram essa homenagem especial ao profissional que tanto amou a direção e as estradas. O caixão foi colocado em cima de uma carreta (na parte que se chama cavalo) e atravessou a cidade seguido de outras carretas e dezenas de motos que percorreram as ruas da cidade buzinando, num gesto carinhoso simbolizando o adeus ao amigo e companheiro. Na frente do caixão iam a viúva, um filho, uma prima e dois amigos.

Mesmo enfrentando a chuva, a multidão não mediu esforços e acompanhou o féretro até o cemitério local. Ao retirarem o caixão, antes da entrada no cemitério, como tradição o amigo Paulinho de Clóvis, usando seu trompete, executou uma canção em homenagem ao amigo que se foi, e ao final todos os presentes deram uma salva de palmas.

Dessa forma, presto também minha singela homenagem a Bidu, meu amigo. Ele que fez parte da minha infância. Residiu um bom tempo próximo da minha residência e por um tempo fez parte de uma bandinha musical infantil organizada por este poeta e blogueiro.

 Já na fase atual , vez por outra tinha o privilégio de encontrar o amigo Bidu em algum restaurante da cidade, sentar na mesma mesa com ele e, por safisfação almoçar em sua companhia. Em seguida pedia ao gerente para pagar a conta dele (normalmente um almoço e uma latinha de cerveja), ao que ele dizia: - Que é isso Paulinho, precisa não meu amigo. Eu respondia sempre: - Sei que não precisa, mas é uma satisfação almoçar com meu amigo de infância, e apenas por satisfação pagar sua conta. Ele me dava um abraço com aquele sorriso rasgado e dizia: -Então muito obrigado...

Em outras oportunidades o caso se invertia e era ele quem pagava minha conta. Quando eu ia pagar, o gerente dizia; - Bidu já pagou seu almoço.

E era sempre aquela alegria, sentar com Bidu, relembrar os velhos tempos de infância e dar boas e gostosas gargalhadas com os casos que ele me contava, as vezes acompanhado de minha esposa, que também tinha um carinho especial por esse amigo. Ele depois de muito batalhar na vida, conseguiu possuir sua casa própria, seu caminhão e ter um trabalho honrado e, no meu entender, estava vivendo uma ótima fase da vida.    

Assim é a vida. Por isso não devemos deixar pra depois, quando quisermos dar um abraço num amigo ou dizer que o(a) amamos, pois o dia de amanhã é incerto.

Vai com Deus Bidu. Sua amizade e seus gestos de simplicidade permanecerão em nossos corações. 

Abaixo a foto da bandinha musical do nosso tempo de criança:

Personagens da foto: Da esquerda para a direita: 1-Roberval Ramos (de roupa cor de vinho), 

2-Carlos Barbosa (Carlos de Alice); Vander Carlos (Carlinhos batera); eu (Paulo Tarciso) e BIDU,

(de camisa vermelha). O ano era 1976.