segunda-feira, 2 de setembro de 2013

DICAS DE LEITURA - O SABOR DE UM BOM PRATO DE LIVROS




               Se tem algo que me considero viciado é em leitura de bons livros. Faço belas viagens sem precisar gastar dinheiro e sem sair de casa. Conheço nações, culturas e pessoas, penetro na história e no enredo, me sinto forte e vitorioso as vezes, fraco noutras, bravo algumas vezes e até sentimental demais em certas ocasiões, vai depender da obra que estou lendo e do autor. É como se a gente entrasse numa locomotiva e viajasse por vários lugares e a depender das paisagens, da conversa e da companhia a experiência é tal e qual.



            Nos tempo de criança era um aficionado pelos gibis, muito comuns à época. Tio Patinhas, Pato Donald, Tex, o Homem de Ferro, Zé Carioca, o Superpateta e tantos outros heróis que marcaram a minha infância. Um amigo que também tinha esse “vício” era o popular Cláudio de Deca, mas havia muitos outros.    



            Me recordo que era tão aficcionado por esses livretos que pensava: “Quando morrer quero que coloquem todos esses livros junto com meu caixão, pensava que poderia continuar lendo quando atravessasse para o outro lado da vida. Coisa de criança mesmo.



            Na fase da adolescência e na juventude continuei gostando de ler, evidentemente mudando os livros. Lembro-me que foram duas obras que me colocaram no costume no gosto pela leitura. Não aquela leitura obrigatória das escolas, que muitas vezes somos forçados a ler para responder a lição ou a prova, mas aqueles livros que a gente ler por prazer, não por obrigação. Falando das duas obras que me “viciaram”, a primeira foi “O ESTUDANTE”, de Adelaide Carraro. Uma história comovente de uma família que tem um de seus membros envolvido no mundo das drogas.



        O segundo, não menos importante foi “COMO EVITAR PREOCUPAÇÕES E COMEÇAR A VIVER, do autor americano Dale Carnegie, um livro de auto ajuda, com muitos conselhos para ter uma boa e longa vida. Foram vendidas mais de 60 milhões de cópias dos livros desse autor e publicados em 28 idiomas. 


          Na fase de adolescente, juntamente com Cidinaldo, Fernando de Zeca, Doraídes, Dorinha de Zé Serrinha e Carlos Barbosa, formamos um grupo informal de leitura, e nos tornamos filiados da revista “CIRCULO DO LIVRO”, que trimestralmente nos remetia uma revista com centenas de dicas de livros dos mais diversos, tanto da literatura nacional quanto internacional para que a gente escolhesse ao menos um por trimestre. Combinávamos para cada um escolher um livro diferente para que repassássemos um ao outro, de modo que todos líamos aqueles livros.



Só para indicar alguns títulos daquela época, a quem interessar:



1-O ESTUDANTE – Autora: Adelaide Carraro. (Lançado em 1989). É o grito desesperado de alerta para jovens, pais, professores, qualquer pessoa que pode, a qualquer momento, se tornar vítima das drogas. É o relato de um jovem que teve seu lar destruído pelo fantasma da droga, que não respeita idade, classe social, religião e raça. Muitos leitores poderão achar o conteúdo deste livro chocante e brutal, mas não devem se esquecer de que a realidade aqui escrita é muito mais. Um livro que não pode deixar de ser lido por todos que abominam o caminho da miséria e degradação para o qual os jovens são arrastados pelo vício das drogas.”





1-O POBRE DE DEUS –. Autor Nikos Kazantzáskis.  Nesta obra, o escritor grego conta a vida de São Francisco de Assis, filho de um comerciante italiano que abandonou a vida mundana, casou com a pobreza e transformou-se em um dos maiores religiosos de todos os tempos. O narrador do livro é Frei Leão, seguidor e leal companheiro de São Francisco que contesta o radicalismo do santo, mas sempre se comove com as histórias que ele conta. Um livro cativante que fará o leitor descobrir os princípios mais belos do amor e do desprendimento.



2-COMO EVITAR PREOCUPAÇÕES E COMEÇAR A VIVER – autor. Dale Carnegie.  Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos, e tradução para mais de 36 idiomas, este livro continua sendo utilizado como manual para os treinamentos de autoestima e motivação profissional em diversos centros de treinamento desde seu lançamento original, em 1948. Ensina técnicas eficientes que ajudam a eliminar os hábitos da preocupação, e atitudes mentais que trarão autoconfiança e felicidade.



3-HORIZONTE PEDIDO – Autor: James Hilton.  É um livro que consegue deixar o leitor extasiado com a vida dos habitantes de “Shangri-la”, um lugar mágico localizado entre as belíssimas montanhas congeladas do Tibet. Não há como o leitor não questionar: ""Será que esse lugar existe". A paz, a harmonia, a moderação, e acima de tudo a paz habitam  aquela “aldeia” . É uma espécie de paraíso. A vida ganha um novo sentido após a leitura dessa obra, que foi transformada em filme no ano de 1937, pelo diretor Frank Capra.



4-A SEGUNDA VITÓRIA – Autor:  Morris West. O ambiente político e social do pós-guerra na Áustria ocupada pelos ingleses. Um crime misterioso. Uma história de amor. Quem teria matado o ajudante do Major Hanlon, quando a guerra já terminara? Estariam as personalidades oficiais da pequena cidade tentando encobrir o criminoso? E Hanlon? Conseguiria esquecer seu passado e casar com a mulher que ama e que espera um filho dele?...



5-O SOL É PARA TODOS – autor: Harper Lee. Romance. Conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930. Jem e Scout Fincher testemunham a ignorância e o preconceito em sua cidade. A esperta e sensível Scout, narradora da trama, e Jem, seu irmão mais velho, são filhos do advogado Atticus Finch, encarregado de defender Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca. Nos três anos em que se passa a narrativa, deparam-se com diversas situações em que negros e brancos se confrontam. Ao longo do livro, os dois irmãos e seu pequeno amigo de férias, Dill, passam por tensas aventuras, grandes surpresas e importantes descobertas. Nos episódios vividos ao lado de personagens cativantes, como Calpúrnia, Boo Radley e Dolphus Raymond, aprendem e ensinam sobre a empatia, a tolerância, o respeito ao próximo e a necessidade de se estar sempre aberto a novas idéias e perspectivas. O sol é para todos é o único livro de Harper Lee. Sucesso instantâneo de vendas nos EUA, que se tornou um grande best-seller mundial.



6-GENTE COMO A GENTE –Autora: Judith Guest. As transformações sofridas por uma família comum da classe média, no momento em que o filho mais jovem retorna de um hospital psiquiátrico, após tentar o suicídio. Novela de cunho psicológico, Gente como a Gente trata de questões fundamentais ao ser humano: amor, ódio, culpa, morte, relações familiares conflituosas - tudo isso está aqui reunido numa trama bem urdida, onde emoção e reflexão se contrapõem admiravelmente.



7-TERRAS DO SEM FIM – Autor: Jorge Amado. É um livro que retrata as lutas e conquistas da terra e o crescimento do País, no sul da Bahia, região das fazendas cacauerias. O autor reproduz nesse livro a realidade da vida numa fazenda de cacau, as disputas políticas, o regime de semi-escravidão, ou seja, a vida construída em torno das “árvores dos frutos de ouro”. A luta entre os coronéis que conquistaram a terra, para nela cultivar o cacau, e toda movimentação comercial e de riqueza que a exportação deste produto gerou para esta região do País. Aparece a batalha pela posse ta terra e do poder, o drama da agricultura cacaueira, a passagem das terras para as mãos dos exportadores. O drama dos trabalhadores rurais.

Até outra oportunidade...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O “CAMINHO DE PEDRAS” DE RACHEL DE QUEIROZ.





         Considerando que um dos meus “vícios” é ler. Nos últimos 60 dias devorei cinco obras com temas variados. Foram elas: "RUI BARBOSA - Da coleção a Vida de Grandes Brasileiros, da Editora três", "ALEXANDRE E OUTROS HERÓIS", de Graciliano Ramos, da Editora Record, "O SAPO QUE ENGOLIA ILUSÕES", de Moacir Japiassu, da Atual Editora, "GUERRA E PAZ", de Liev Tolstói, da Editora Cia de Letras e "CAMINHO DE PEDRAS", de Rachel de Queiroz, da coleção Aché dos imortais da Literatura Brasileira . 

       Hoje comento sobre uma delas. Trata-se do livro “CAMINHO DE PEDRAS”, escrito por Rachel de Queiroz, Publicado em 1937. Nessa obra, a escritora cearense se equipara a renomados escritores da literatura universal. 

         O enredo da obra trata sobre a época em que a ditadura militar imperava em nosso país, sob o comando do presidente Getúlio Vargas. Os personagens principais são Jean Jaques e Noemi, que são casados e tem um filho pequeno, chamado Guri e  Roberto, um jornalista carioca que viaja do Rio de Janeiro com destino ao Ceará, a fim de fundar um sindicato/partido socialista. Lá chegando se junta a um pequeno grupo de trabalhadores e intelectuais em prol de um socialismo utópico. Aos poucos o líder do grupo, Roberto vai conseguindo juntar em torno de si e dos seus ideais alguns amigos. Dentre eles, está Roberto, que vem se tornar o primeiro secretário do sindicato. Sua esposa Noemi, também se junta ao grupo. 

                  Na página 68, tem uma passagem interessante. Apesar de escrita em 1937, o tema ainda é bastante atual. O grupo de operários realiza um comício na praça da estação, quando o personagem “Vinte e Um” sobe num banco e abre o evento. Era contra a Caixa de Beneficência:

- Ladrões, roubam o nosso sangue, roubam o nosso salário, se enchem, e o que fica:? Não tem hospital, não tem escola, não tem pensão, não tem nada!. Para onde vai o dinheiro das mensalidades? Ladrões, ladrões!”.  

                   O comício prossegue com vários discursos inflamados até que o tropel das ferraduras e a cavalaria aparecem e dispersam o grupo, prende alguns membros e em poucos minutos a praça está limpa de gente.

                  O fato é que, entre reuniões e encontros, como acontece na vida real, Roberto se apaixona pela mulher do amigo Jean Jaques, a Noemi. Durante um bom tempo eles conseguem disfarçar dos amigos e de Roberto, até quando, por insistência do amante, ela resolve assumir o romance. A maior dificuldade dela é contar para o seu marido o fim do casamento, já que entende que o mesmo não deu causa e sempre a tratou muito bem, contudo, entende que encontrou o seu verdadeiro amor. Ela ainda tenta continuar se encontrando com o amante sem terminar o casamento, já que até ali vivia em paz e harmonia, contudo, essa paz não conseguiu vencer a paixão repentina pelo amigo de luta sindical Roberto. Noemi resolve, então, contar tudo ao marido. 

                   O momento da confissão é um dos pontos fortes da obra e a separação nesse momento é algo inevitável. Jean Jaques, ao saber da “traição”, arruma a mala e vai embora, deixando o filho com Noemi. Esta não se desfaz apenas do casamento, já que como conseqüência perde o emprego em um “stúdio de fotografia” e a companhia de algumas amigas, eis que a sociedade também a reprovou.
                   Adiante, o Guri, filho de Noemi com Jean Jaques adoece e acaba morrendo. Os amigos Felipe e Angelita... um a um, vão “desaparecendo”. Até o  atual companheiro Roberto, que procurava dar apoio a Noemi, é preso e levado para longe, envolvido com “propaganda subversiva”. Justamente ele, que ela pensava ser o verdadeiro amor. 

                   Agora sozinha, sem amigos, sem o filho, sem o companheiro, Noemi chora, e chora muito...

                   O único consolo que ainda resta é um filho que se encontra no ventre, fruto do seu relacionamento com Roberto, este futuro pai que termina a história preso, no sul do país, não se sabe exatamente onde, enquanto que Noemi ... “depois de semanas terríveis, inúteis, conseguira se arranjar numa casa de roupas brancas. Costurava o dia todo, curvada sobre a máquina, abafando, interrompendo-se de vez em quanto para tomar um pouco de ar, enquanto no ventre o filho de Roberto aumentava a se debatia”...

                   A obra é concluída com Noemi pensando em deixar aquele trabalho e procurar outro mais leve que rendesse para ajudar na comida e permitir ao menino crescer á vontade, espernear á vontade. 

                   Caminha devagar conversando com o filho no ventre, quando pisa em falso numa pedra solta. Arrima-se ao muro. O pequeno se sacode todo, comovido também com o choque. 

                   Noemi sorrindo, ampara com a mão o ventre dolorido, e exclama:
- Mais devagar companheiro!. E volta a subir a ladeira áspera, devagarinho.   

                 Nessa obra Raquel descreve com muita clareza a ilusão, e porque não dizer, a utopia do amor perfeito. Mostra que a realidade do dia-a-dia deixa morrer não só sentimentos e anseios, mas também demonstra que o ser humano muitas vezes percorre CAMINHOS DE PEDRAS, não tão fáceis de serem vencidos.

         Todo o enredo tem como pano de fundo a luta pela liberdade e a política, palco de muitas disputas, muitos sonhos e porque não dizer, muitas “desilusões”. 

       A obra conta com 150 páginas, recheadas de muita emoção. Vale a pena ser lida. Para um bom leitor, 4 a 5 dias são suficientes. Nesse período eu li e reli a obra. Valeu a pena!.

Breve comentarei sobre as outras obras

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

SESC LER DE BUÍQUE PROMOVE EXPOSIÇÃO SOBRE O POETA ESCRITOR MÁRIO QUINTANA




       


     Quarta feira a noite (14.08.13) participei do evento cultural realizado pelo SESC LER de Buíque em homenagem ao escritor poeta MÁRIO QUINTANA. Uma linda exposição ocorreu no Centro Pastoral, palco de grandes eventos sociais e culturais da cidade.  Lá, a coordenadora do evento Joselene Cavalcanti, recepcionou os convidados, dando boas vindas e comentando sobre a exposição e de sua importância cultural. Em seguida convidou o grupo teatral “Retalhos”, da vizinha cidade de Arcoverde, formado por cinco jovens, quatro rapazes e uma moça, que fez um show de apresentação, dando vida a vários poemas e poesias do escritor homenageado, tudo acompanhado do solo de violão dedilhado por um dos membros do grupo.

      Encerrada essa apresentação teatral, o público presente foi convidado a adentrar em uma sala onde estão expostos diversos banners contando a história de Mário Quintana, desde o seu nascimento até sua morte, incluindo em todos esses banners textos de suas poesias e desenhos ilustrativos. Realmente uma linda viagem cultural em homenagem aquele que foi considerado o príncipe dos poetas brasileiros.

     MÁRIO de Miranda QUINTANA foi um poeta e tradutor gaúcho, autor de poemas e frases consideradas brilhantes. Nasceu em 30.07.1906 na cidade de Alegrete-RS. Estudou em Escola Militar na adolescência no ano de 1919 e lá, começou a trabalhar na revista Hyloea. Em 1924 entrou na editora da Livraria O Globo. Em 1929 ingressou na redação do diário “O Estado do Rio Grande”. Em 1934 foi publicado o livro “Palavras de Sangue”, cuja obra originalmente escrita por Giovanni Papini, sendo traduzida por Quintana.

      O poeta traduziu também autores como Voltaire, Virginia Woolf e Maupassant. Traduziu ainda “Em busca do Tempo Perdido” considerada muito densa.

      Em 1940 lançou o livro de poemas “A Rua dos Cataventos”, obtendo sucesso. Em 1966 foi lançado o livro “Antologia Poética”, organizado pelos escritores Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. Foi saudado pela Academia Brasileira e Letras, pelo poeta Manuel Bandeira.

      Em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis da ABL, pela obra total e em 1981 foi agraciado com o prêmio Jabuti de Personalidade Literária do ano.

      O poeta tem outros trabalhos interessantes: “Quintanares” (1976) e “Esconderijos do Tempo” (1980) são alguns exemplos no segmento da poesia.

      Na literatura infantil, destacam-se “Lili inventa o Mundo” (1983) e “Nariz de Vidro” (1984).

      O poeta não se casou e faleceu em Porto Alegre/RS, lugar onde viveu a maior parte de sua vida, em 05 de Mao de 1994. Lá foi montado o Centro de Cultura Mário Quintana, onde era o antigo Hotel Magestic, hotel onde o escritor poeta praticamente residiu por muitos anos.

Algumas frases do escritor poeta:

“Quem pretende apenas a glória não a merece”.

“A amizade é uma espécie de amor que nunca morre”

“O que faz as coisas pararem no tempo é a saudade”.

“Os anjos não dão os ombros, não; quando querem mostrar indiferença os anjos dão as asas”.
                  A exposição prossegue até o dia 12 de setembro, nos horários de 8 às 11h, 14 às 17h e 19 às 22h. Quem desejar visitar além de presenciar uma linda exposição vai ser recepcionado pelo poeta Leonardo (Léo Chocolate) e um grupo de auxiliares do SESC que está dando um brilho especial ao evento. Vale a pena conferir !.