sexta-feira, 15 de março de 2019

MANIFESTO "POR UM MUNDO MELHOR"



                   “Declaro com muita dor e tristeza
                 Depois de correr o mundo e voltar
                 Está cada vez menor a certeza
                Que eu tinha de ver o mundo mudar
                Não é que eu deixei de ser otimista
                Que ainda não me cansei de lutar
                 Mas volto um bocado mais realista por ver
                Que o drama da humanidade
                É o medo que a gente tem da verdade”.
                                                   Padre Zezinho SCJ.



        Na tarde e hoje, ouvindo músicas, como faço diariamente, selecionei umas canções antigas do Padre Zezinho, de quem sou profundo admirador e coleciono músicas, mensagens e até livros. De repente, comecei a meditar na atualidade de uma de suas mensagens cantadas, intitulada MANIFESTO, cujo primeiro verso destaquei acima. Na canção o poeta-cantor declara que, depois de correr o mundo, tentando mudá-lo, voltou ainda otimista, mas também muito realista da situação que praticamente o planeta inteiro vive. A guerra está em todos os lugares e em todas as pessoas.

          Agora falo eu, e não o cantor. Parece que o ódio, a intriga, o desamor, vem contaminando a humanidade inteira, com raríssimas exceções. Nos dias atuais, depois das chamadas redes sociais, é fácil conseguirmos “um milhão de amigos virtuais” e poucos reais e verdadeiros. Quando se fala em lideranças políticas, as agravantes superam todas as expectativas. Como bem canta o padre: “A fome, a escravidão e a pobreza, imperam por todo canto da terra”. Não é mais necessário viajar para a África ou outros continentes do planeta, para vermos que de fato a fome e a pobreza ainda  são uma triste realidade, muito embora alguns líderes ainda teimem em dizer que “acabou com a pobreza”, embora tenham ajudado bastante. 

           Outra declaração muito atual e verdadeira, é essa: “Os pobres apenas mudam de dono”. Para nós, brasileiros, principalmente quem mora nas pequenas cidades interioranas podem verificar mais de perto essa realidade. Basta, para isso, observar os períodos eleitorais, essencialmente quando o pleito é municipal. O voto vale uma cesta básica, uma prótese dentária ou uma falsa promessa de emprego. Enquanto isso os “lutadores no ringue” disputam quem será o mais forte. Depois de eleitos, voltando à realidade, a situação do município, Estado ou país se torna cada vez pior. Sobre esse tema, creio dispensar qualquer comentário. A verdade, pouco interessa aos líderes, e, em parte aos liderados. O que vale é o “seu lado”, a “sua verdade”, o “seu partido”. Por isso o padre-poeta declara: “O drama da humanidade é o medo que a gente tem da verdade”. 

               Entretanto, a estrofe mais forte, que me chamou a atenção foi essa, que de tão perfeita e atual, resolvo descrevê-la por inteiro:

               “Declaro com muita dor e tristeza
                Que o mundo foi leiloado e vendido
                Que há terras aonde manda a riqueza
                A há outras aonde manda o partido
                Há terras aonde há um só caminho
                Quem nele não caminhar é suspeito
                Quem ousa sonhar acaba sozinho
                Porque o drama da humanidade
                É o medo que os grandes tem da verdade”.

       Como estamos nos aproximando da páscoa, recomendo a todos ouvirem a linda canção, gravada no ano de 1981, no disco “Um Certo Galileu II”, do Padre Zezinho SCJ. Além de uma linda letra, a melodia encanta o coração do ouvinte e nos faz inseridos nesse protesto contra os desmandos do planeta e um grito de alerta, por um mundo melhor.  

        Parabéns ao Padre Zezinho, profeta cantor de Deus, pelo seu bonito trabalho de sacerdote, realizado desde longas datas, que tem embalado minha vida, e de muitos outros, desde o tempo de criança, passando pela adolescência e agora na fase de adulto, na bonita fase dos “entas”. Que o Senhor lhe conceda muita saúde e inspiração, para continuar nos iluminando com suas canções e mensagens.!

Segue o link da canção:
https://www.youtube.com/watch?v=Y7dLC01gEVI 

sexta-feira, 1 de março de 2019

O MUNDO EM PÉ DE GUERRA


   
Imagens extraídas da internet, com montagem
         

             Ao ler o título desta mensagem, o primeiro pensamento que nos vem à memória é uma guerra de fato, com bombas, aviões e exércitos fortemente armados para o combate; entretanto, não descartando essa hipótese, o que pretendo destacar nesta breve reflexão é a guerra de ideias, doutrinamentos, mensagens,  principalmente através das redes sociais. 

         Não é difícil percebermos que nesse aspecto, estamos vivenciando uma verdadeira guerra que não tem vencedores nem derrotados, apenas vítimas.  

         Se o assunto for espiritual, mais popularmente, religioso, há milênios vivemos numa guerra sem precedentes. Se nos tempos bíblicos já havia a guerra religiosa: judeus, egípcios, babilônicos, saduceus, fariseus; bem mais adiante, nos tempos de Cristo, os judeus perseguiam cristãos e depois que estes  cresceram  e através de Roma antiga, se uniram ao Estado, começaram a perseguir os judeus, inclusive adiante levando à morte milhões deles, através da voz de comando de Adolf Hitler. Os conflitos religiosos nunca cessaram. Nos dias hodiernos eles continuam de forma acelerada e cresce ainda mais entre os próprios segmentos religiosos. Todos são testemunhas desse fato. "Não se pode tapar o sol com a peneira”. 

         Somando a tudo isso, temos outro tipo de guerra que tem auxiliado esse “conflito” sem deixar ninguém de fora. Desde crianças até as pessoas da terceira idade, ela está presente, de forma as vezes traiçoeira ou disfarçada. Me refiro as redes sociais. Com a popularização desse instrumento tão poderoso, que tanto serve para aproximar quem está distante, quanto para afastar quem está próximo, são inúmeras as pessoas que usam desse meio para provocar amigos, criar falsas notícias - as fake News tão em moda atualmente, principalmente em períodos eleitorais, usados e abusados por todos os partidos, mais principalmente pelos mais fortes. Repito, nesse aspecto não existem inocentes, todos usam e abusam, mas ambos se dizem vítimas.   

         As vezes alguns fazem tais postagens sem intenções de provocar, apenas defendendo seu candidato, seu partido ou seus ideais, mas as vezes essa “propaganda” é tão agressiva que se torna provocação, parece que está chamando os “amigos” para briga de fato. Muitas vezes pessoas que sequer sabem diferenciar “a gente” – locução pronominal, de “agente” substantivo, escrevem como se fossem doutores ou mestres da língua portuguesa ou cientistas políticos dos mais renomados.  

         Com isso, amizades antigas são desfeitas ou pelo menos ficam feridas, magoadas, pois quem se ofende as vezes se cala, para não retribuir a ofensa; outras vezes responde, recebendo, quase que de imediato uma resposta, e na maioria das vezes muito provocativa e desafiadora.

         É nesse caminho que mesmo que virtualmente, amizades são desfeitas (excluídas) e, no meu entender, quando é excluída na rede social, de alguma forma é também no coração, e, como quase ninguém quer se dar por vencido, a guerra continua deixando muitas vítimas e nenhum vencedor. Afinal, essa é a intenção do mundo pós-moderno: “Tornar cada vez mais o ser humano distante do outro e cada dia mais escravo da máquina”.     

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

PALESTRA CULTURAL NA ESCOLA TÉCNICA CYL GALLINDO, EM BUÍQUE/PE




         Na data de hoje, das 16:00 às 17:00 horas, a convite de alunos do 1º ano A, Sala 03 TDS, da Escola Técnica Cyl Gallindo, este poeta cordelista realizou uma palestra com o tema cultura e Literatura de Cordel. Como vários alunos daquela instituição apresentaram trabalhos estudando a minha obra, nada mais justo contarem com a minha participação no encerramento dos trabalhos. 

         Em breves palavras discorri um pouco sobre a minha história, desde os tempos de criança até os dias atuais, sobre as escolas onde estudei, lembrei das professoras, do antigo colégio das freiras e do meu apreço pela poesia, desde criança. 

        Ao final, apresentei uma coletânia de cordéis de minha autoria e os três livros que lancei: "DESPERTAR POÉTICO", o primeiro que é composto de poesias de alunos da rede pública de ensino de Buíque, livro que foi coordenado por minha pessoa, contendo apenas um poema de minha autoria. O segundo livro comentado foi "AS JANELAS DO SOBRADO", que narra a história política, social e cultural deste município de Buíque, com edição esgotada, sendo informado que publiquei recentemente em minha página do facebook o livro reeditado com todo o conteúdo original, sendo que com a maioria das fotos coloridas, já que o original estão em preto e branco. Comentei ainda sobre a minha terceira obra, lançada recentemente, "PÃO, VINHO E POESIA", que é a tradução para a linguagem popular do cordel dos quatro evangelhos da bíblia e o livro de Atos dos Apóstolos. Este último contou com a participação do professor Carlos Alberto de Assis Cavalcanti, professor da Faculdade de Formação de professores de Arcoverde, com mestrado em Teoria da Literatura, vencedor  de vários concursos literários no país, o qual foi responsável pelo prefácio da obra. Outra participação especial foi da poetisa e psicanalistas, professora e poetisa Márcia Marina, que escreveu o texto da orelha. O livro ainda contou com uma breve apresentação do escritor Inaldo Tenório de Moura Cavalcanti, autor de várias obras consagradas, dentre elas "O colecionador de Cavalos", lançado pela editora Editora LP-Books. 

         Para não ficar só em apresentação de obras físicas, mostradas na classe, encerrei minha participação declamando três cordéis, sendo dois de minha autoria: "VIOLÊNCIA NA TV", que é uma crítica ao mau uso da televisão e "O POBE NA INLEIÇÃO", que fala sobre a politicagem vivenciada praticamente em todo o país, principalmente nas cidades interioranas, onde a compra de voto prevalece, destoando a verdadeira democracia.  Para encerrar a palestra ainda declamei a poesia do poeta paraibano Chico Pedrosa, "ESTÓRIA DE CAÇADOR", recebendo ao final os aplausos dos presentes, o que evidentemente, serve de vitamina para  prosseguir produzindo a boa cultura, tão importante para nossa sociedade.

       Agradeço desde já a todos os alunos, dentre eles às jovens Anna Beatriz e Vanessa Pereira, que formalizaram o convite e apresentaram o trabalho, e de uma forma especial deixo os meus agradecimentos à professora  Renatta Arcoverde, pelo apoio e incentivo no momento da palestra. Meu abraço e agradecimento também à Conceição Brandão, Diretora daquele educandário, pela calorosa recepção.

Algumas fotos do evento:

As jovens Anna Beatriz e Vanessa Pereira
Paulo Tarciso, narrando sua história

Paulo Tarciso fala sobre cultura
  
Professora Renatta Arcoverde





Gesticulando ao declamar poesia de cordel

          
Registro com a turma completa

Observação: todas as fotos foram publicadas com a permissão dos fotografados, sendo que a foto da ETE foi extraída da internet.  



domingo, 3 de fevereiro de 2019

TRINTA DIAS DE FÉRIAS PASSEANDO COM GUIMARÃES ROSA E JOÃO UBALDO RIBEIRO.




       Considerando que minhas férias estão chegando ao fim, quero dizer que aproveitei bastante esse período de descanso, para fazer uns passeios muito prazerosos e emocionantes. Conheci cidades dos Estados de Minas Gerais, Bahia e Alagoas.


        Em Alagoas estive visitando a cidade de Delmiro Gouveia- cidade dos meus sogros e cunhados,  e Olho D’gua dos casados. Nesta ultima aproveitei para dar uns mergulhos no “velho Chico” e me deliciar  com as comidas servidas na beira do rio, inclusive um ótimo peixe assado na brasa. O período que ali em Alagoas foi curto, apenas quatro dias.


        No Estado de Minas, o passeio foi mais longo, durou cerca de doze dias. Lá, além de Belo Horizonte, conheci muitas cidades pequenas; acompanhei várias caravanas, tangendo a boiada pelas estradas empoeiradas do interior mineiro. Presenciei cenas de violência em alguns povoados e ate morte de alguns peões. Já nos dois últimos dias assisti um duelo entre dois valentões: Joãozinho Bem-Bem e Augusto Matraga. Nesse passeio não foi preciso sair de casa, aconteceu em minha biblioteca partilhar,  quando lia a obra Sagarana, de Guimarães Rosa.


         O outro passeio, o mais recente, que terminou ontem, foi no Estado da Bahia, onde visitei a capital Salvador e passei mais tempo na bela e encantadora Ilha de Itaparica, na companhia do escritor João Ubaldo Ribeiro. Nesse Estado conheci um pouco de política, misticismo, traições, vinganças, assassinatos e até experiências estranhas com seres humanos e animais. Comi peixe, tomei água de coco e mergulhei nas águas puras e cristalinas da praia existente naquela ilha. O passeio durou apenas seis dias e aconteceu enquanto lia o livro “O Sorriso do Lagarto” e de quebra,  assisti várias entrevistas com o autor da obra, para conhecer  melhor sua história.


          Para não dizer que viajei em meu próprio Estado, viajei à São Lourenço da Mata (PE), onde visitei minha mãe, irmãos, cunhadas e sobrinhos e no retorno pra casa trouxe umas mudas de plantas presenteadas por minha genitora, para enfeitar o meu jardim. 
                               João Ubaldo Ribeiro                                                           Guimarães Rosa
 
            Aí está a sugestão: Se você está de férias e não tem condições financeiras de viajar de fato, adquira ou peça emprestado bons livros e faça lindas viagens, tanto nacionais quanto internacionais sem gastar nenhum tostão e ainda sem sair de casa. Foi isso que fiz e realmente foram lindas viagens.