sábado, 8 de novembro de 2014

ARRUMANDO A ESTANTE E "REVIRANDO A VIDA"


   Aproveitei o dia de hoje para dar uma arrumada na minha estante, que considero minha "biblioteca particular". Iniciei os trabalhos por volta de 9 hs. Como gosto muito de trabalhar ouvindo música, liguei o som e coloquei o CD Muira-Ubi - Cantilenas e Saudades, de Paulinho Leite e Tonino Arcoverde. Cada canção, uma história. 

  A primeira delas, inclusive a mais ouvida, porque repeti diversas vezes foi A LISTA, composição de Oswaldo Montenegro. A letra, que é mais do que um poema, na verdade, cantado é um lindo hino de reflexão, me fez mergulhar na melodia e no tempo, em cada frase. A primeira estrofe começa convidando:  "Faça uma lista de grandes amigos; Quem você mais via há dez anos atrás. Quantos você ainda vê todo dia. Quantos você já não encontra mais…"
    Voltei não só nos dez anos, fui mais profundo, cerca de vinte, trinta anos. Me lembrei dos amigos de infância e adolescância que ainda vejo praticamente todo dia: Carlinhos, Geraldo de Pergentino, Erivaldo da Farmácia, Paulão de Humberto, João Paulo (filho de seu Filadelfo), Júnior JKMS, Roberval Ramos, Manoel Wevvel, Mutuka e todo pessoal do Som Bléss Set e muitos outros . Me veio a mente também o amigo Esildo Barros, que morou na mesma rua que eu (próximo à praça Félix França), nos anos 70. Outras pessoas também me visitaram a mente: Lindalva Gomes, grande amiga e confidente dos tempos da Escola Vigário João Inácio, Nativa, Graça Gomes, Socorro Benedito e um sem número de professores que marcaram, e muito, a minha vida.  

   Depois desses amigos, obedecendo a canção, continuei me recordando de outros que já não encontro mais, porque se ausentaram da cidade em busca de trabalho e nunca mais retornaram, ou retornam apenas por poucos dias. Foi aí que entrou na lista o grande irmão Fernando Marcos Cavalcanti, que há duas décadas reside em Maceió; Donisete de Edgar, uma das pessoas mais alegres da minha adolescência, que há mais de trinta anos foi embora para São Paulo e nunca mais retornou à Buíque; Jair França, e seu irmão Jailson, conhecido como "Galego de Mário Buchudo", que também residem em São Paulo há mais de três décadas. Me lembrei também de Luis Coquinho e Cícero Carcereiro e suas "presepadas de menino" que tornaram minha infância e adolescência e de tantos outros mais alegre. Me recordei também Vanda de seu Beron, Teresa de D. Teté, Antonio de Sinhozinho, Neguinho seu irmão, o índio Dezinho de Águas Belas e até de outros que, no dizer do poeta cantor Rolando Boldrin, "viajaram antes do combinado". Entretanto, a mente continuou divagando enquanto a canção prosseguia seu defafio: 
    "Onde você ainda se reconhece, na foto passada ou no espelho de agora?" Foi aí que revirando as gavetas da estante vi diversos álbuns de fotografias e percebi as semelhanças e diferenças nas fotos de apenas 10 anos atrás e na "cara" que via no espelho há poucos minutos, ao me pentear....
    Entretanto, a música continuou me desafiando a refletir: "Quantos mistérios que você sondava. Quantos você conseguiu entender?". Nesse momento percebi que muitos mistérios que eu pensava desvendar, nos meus cinquenta anos de vida, pouquíssimos conseguir encontrar a resposta, apenas um: DEUS EXISTE. No demais, a única coisa que concluí é: "O QUE EU SEI É UM PINGO E O QUE IGNORO É UM OCEANO".

    Como a canção não parava de provocar reflexões fui mais adiante: "Quantos segredos que você guardava, hoje são bobos ninguém quer saber?". Foi nesse momento que me lembrei que no sábado passado estive no museu municipal e lá vi que o confessionário que era usado na igreja matriz passou a ser peça de museu. Me veio a mente os tempos de criança, quando ainda tão  inocente me ajoelhei naquele confessionário confidenciando os "pecados" próprios de criança e recebi ali o perdão do sacerdote, e com certeza de Deus também. Os segredos daquele tempo até eu mesmo esqueci, pois, como diz a canção: eram bobos e ninguém quer saber". Mas naquela época foi muito importante.  

     E, ainda provocando pela canção, pois a repeti diversas vezes, atendi a próxima reflexão: "Faça uma lista dos sonhos que tinha; quantos você desistiu de sonhar!". Foi aí que me recordei que um dos sonhos que tinha quando criança era ser locutor de rádio, ainda fiz um curso por correspondência mas nunca cheguei a fazer um programa, a não ser nas difusoras do cinema de meu pai. Outro sonho muito momentâneo, já na fase mais adulta foi ir embora de Buíque e colocar um comércio em outra cidade. Isso foi provocado pelo baixo salário que ganhava e não ter um emprego fixo e com salário razoável. Outro sonho era ter uma bela chácara ou sítio para brincar de balanço nas árvores com meus filhos, criar animais, dormir nas redes da varanda do sítio, etc. Desse sonhos apenas o último pode ainda voltar a existir, no entanto, meus filhos já cresceram, e muito rápido, e com isso o sonho deixou de existir para dar lugar a outros desejos.       

    Para concluir, os últimos questionamentos do poema  canção: "Quantos defeitos sanados com o tempo?  e, quantas canções que você não cantava hoje assobia pra sobreviver? Sobre os defeitos, não sei se os sanei com o tempo, talvez adquiri outros e substituí alguns. Quem sabe mais são os amigos do meu convívio. Sobre as canções, creio que eu sempre gostei de cantar, e muito mais de assobiar. É tanto que meus vizinhos já identificam minha aproximação de casa. É que tenho por hábito caminhar assobiando, e as vezes tão alto que se escuta com 50 metros de distância. Aí as pessoas dizem: Lá vem Paulo!  

     Por último, vem as últimas frases do poema: "Quantas pessoas que você amava, hoje acredita que amam você?" Esse último questionamento deixo para os amigos responderem. De minha parte  confesso ter um grande amor por todos e o desejo de tê-los na minha lista  por toda minha vida, presente e futura. 

Para quem quiser ver a poesia completa, ei-la:

A LISTA

Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos

Quem você mais via há dez anos atrás

Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais…
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar…
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?


P.S. 1. Ao final da "arrumada", joguei um monte de papel fora, limpando as gavetas e concluí tudo por volta das 17 horas. Assim como na vida, a gente tem que fazer isso de vez em quanto. "Dar uma arrumada. Jogar algumas coisas fora e organizar o que fica". 

P.S. 2.Quem quiser ir mais profundo, é só procurar no google a canção, na voz do seu autor ou com a dupla arcoverdense Paulinho Leite e Tonino Arcoverde e sentir as mesmas emoções que eu sempre sinto quando ouço essa música. 



  

sábado, 1 de novembro de 2014

A ARTE DE ESCREVER, DE SCHOPENHAUER



      Conclui nesta tarde a leitura do livro "A ARTE DE ESCREVER" de Schopenhauer. O livro foi publicado pela editora L&PM POCKET e tem 167 páginas com dicas, as mais diversas para quem gosta de escrever. É uma antologia de ensaios originais de "Parerga e Paralipomena", obra de 1851.

     Arthur Schopenhauer foi um filósofo alemão, escritor e poliglota e estudioso da linguagem do século XIX. Nasceu em Danzig, na Prussia a 22 de fevereiro de 1788 e morreu em Frankfurt am Main, a 21 de setembro de 1860.

    Na obra aqui referida, ele descreve de forma clara, as vezes crua e precisa e em alguns momentos de forma bastante cômica, os caminhos que todo escritor deve percorrer para ter êxito em seus projetos.

      Em vários trechos ele critica  escritores europeus, inclusive da própria Alemanha, e por consequência do mundo inteiro, por aceitarem, de forma passiva a decadência da escrita erudita e até a "morte" das línguas mais antigas, como o latim, no seu ver, as mais importantes do planeta. Ele não poupa críticas, inclusive ao o seu  próprio povo alemão: "(...) A abolição do latim como língua geral da erudição e, em contrapartida, a introdução do espírito pequeno-burguês nas literaturas nacionais foram um verdadeiro infortúnio para as ciências na Europa (...)", assegura. Mais adiante conclui: (...) basta notar o descuido com elas na França e mesmo na Alemanha (...)".

         O livro é dividido em cinco capítulos, assim distribuídos: I - Sobre a erudição e os eruditos, II - Pensar por si mesmo, III - Sobre a escrita e o estilo, IV - Sobre a leitura e os livros, e V - Sobre a linguagem e as palavras.

        Schopenhauer era pessimista em sua visão de mundo, considerou ser a vontade a ultima e mais fundamental força da natureza, que se manifesta em cada ser no sentido de sua total realização e sobrevivência. O conceito de vontade deste filósofo diz respeito a algo infinito, uno, indizível, e não a uma vontade finita, individual, ciente. Esta estaria presente no homem como em toda a natureza. Para ele, a realidade é vontade irracional, onde o finito nada mais é que mera aparência da realidade. A vontade infinita, traz, com ela a característica da saciabilidade, sendo então, algo conflitoso que geraria dor e sofrimento ao homem. 

         Organizado, traduzido e prefaciado e com notas der Pedro Süssekind, nascido No Rio de Janeiro em 1973, doutor em Filosofia pela UFRJ, além de tradutor, escritor e professor, especializado em Literatura Comparada na Universidade Livre de Berlin,  a obra é recomendada não só para quem  gosta de escrever, mas também para quem pretende ter uma boa compreensão de qualquer obra literária, seja ela um romance, um ensaio, uma reportagem ou mesmo uma peça teatral..

   Da obra destaco algumas frases para que o leitor tenha alguma ideia de seu conteúdo:

"(...) Só se sabe aquilo sobe o que se pensou com profundidade(...)" 

(...) Os eruditos são aqueles que leram coisas nos livros, mas os pensadores, os gênios, os fachos de luz e promotores da espécie humana são aqueles que as leram diretamente no livro do mundo (...)"

"(...) Com frequência escrevi frases que hesitei em apresentar ao público, em função de seu caráter paradoxal, e depois as encontrei, para minha agradável surpresa, expressas literalmente nas obras antigas de grandes homens (...)".

"(...) A presença de um pensamento é como a presença de quem se ama. Achamos que nunca esqueceremos esse pensamento e que nunca seremos indiferentes à nossa amada. Só que longe dos olhos, longe do coração!. O mais belo pensamento corre o perigo de ser irremediavelmente esquecido quando não é escrito, assim como a amada pode nos abandonar se não nos casarmos com ela (...)". 

     Sobre os críticos, que usam pseudônimo, para não serem identificados o autor assevera:

 "(...) Velhaco, diga seu nome!. Pois atacar, encapuzado e disfarçado as pessoas que passeiam mostrando seus rostos não é algo que um homem honrado faça: só os patifes e os canalhas agem assim. Portanto, velhaco, diga seu nome! (...)"

      Sobre essa tema, ela ainda declara:

"(...) Asim como a polícia não permite que as pessoas andem pelas ruas mascaradas, não deveria ser admitido que elas escrevessem anonimamente(...)".

"(...) É sempre melhor deixar de lado algo bom do que incluir algo insignificante(...)".

      Por último destaco mais duas frases que julguei por demais interessantes:

"(...)Usar muitas palavras para comunicar poucos pensamentos é sempre o sinal inconfundível da mediocridade; em contrapartida, o sinal de uma cabeça eminente é resumir muitos pensamentos em poucas palavras (...)".

"(...) A ignorância degrada os homens somente quando se encontra associada à riqueza. O pobre é rejeitado por sua pobreza e necessidade; no seu caso, os trabalhos substituem o saber e ocupam o pensamento. Em contrapartida, os ricos que são ignorantes vivem apenas em função de seus prazeres e se assemelham a gado, como se pode verificar diariamente (...)". (grifos nossos)

"(...) A palavra dos homens é o material mais duradouro. Se um poeta deu corpo à sua sensação passageira com as palavras mais apropriadas, aquela sensação viverá através de séculos nessas palavras e é despertada novamente em cada leitor receptivo (...)".

     Concluo, asseverando que, apesar de escrito há quase dois séculos, a mensagem do autor continua atual e ainda pulsa forte, principalmente para aqueles que apreciam uma boa leitura, ou que como eu, vez por outra gosta de "escrevinhar".

       Para um bom leitor, creio que no máximo três dias são suficientes para leitura da obra.  






quinta-feira, 30 de outubro de 2014

UM MÉDICO DAR A LUZ AO “CRIADOR” E DE QUE QUEBRA ENCHE O MUNDO DE POESIA


     JULIÃO JULU GUERRA NETO, grande ser humano, médico e líder político. Agora, para completar mais a lista de adjetivos, acrescento mais um que me torna ainda mais seu irmão.  É que o personagem também apresenta-se como um exímio escritor e poeta.

    Recentemente lançou mais uma obra de sua autoria contendo “um punhado” de poemas e poesias que, em dias tão estressantes como os atuais, só vem encher nossa alma de alegria e gozo. Digo mais uma obra, porque Julu lançou outro livro em 1996, em parceria com o seu irmão Ediel Guerra, sob o título “DUETO”.

        Com o título “O CRIADOR”, o trabalho mais recente de Julu Guerra, lançado pela Editora Olindense Livro Rápido, apresenta ao público um leque de belíssimas poesias distribuídas em 199 páginas recheadas de muita reflexão, sobre idas e vindas, amor e solidão, alegrias e angústias, dúvidas e fé, trégua e cansaço.

       Quem fez a apresentação da obra foi o poeta e escritor Inaldo Tenório de Moura Cavalcanti. Por sinal, uma bela apresentação. De tão bela, destaco dois trechos de suas palavras:

 “(...) Julião traz a força da perfeição, sem alarde, com naturalidade, e a graça da magia com alarde, terreno comum onde ele faz nascer o belo, a alegria, a sublime simplicidade de viver. “Viver de modo a que queiramos voltar a viver, e assim por toda a eternidade (...)”.

                        Adiante, prossegue:

(...) “A liberdade é um sorriso largo no rosto da poesia de Julião; e aí volto à ideia dos riachos da minha infância, que certamente o poeta de “O Criador” pode limpar seus pés e alimentar sua alma: mantendo esse mesmo vadio desperto, perturbando “o sono dos carrascos”, e correndo por entre o homem, sendo poeta, viajando por entre a alma humana, estrada comum, lendo-a com sensibilidade aguçada a lapidar “diamantes de utopia”. E, em meio ao caos, poder dizer: “Nós, os que brincarmos de sobreviver inteiros ao espanto de estar vivos (...)”. 

       Já a orelha do livro foi de responsabilidade de Paulo Salles Cavalcanti, escritor, poeta e sócio da UBE-PE, que em suas palavras enalteceu a nitidez e a sensibilidade poética do autor da obra, ao mesmo tempo em que destacou a sua leveza e liberdade na criação poética: “Nada lhe aprisiona: regras, correntes literárias, conceitos ou preconceitos.

“Fica claro o seu propósito de não querer salvar o mundo. Antes deseja salvar-se a si mesmo, vivendo e valorizando a arte de viver as coisas simples”.
    
       Difícil escolher as melhores poesias ou os melhores poemas. Cada leitor se identifica de forma diferenciada com as letras, porém, quero destacar cinco, e dessas, transcrever uma, registrando que os leitores poderão fazer diferentes escolhas.

        Como não poderia deixar de ser a que leva o título da obra “O Criador” merece destaque, eis que o humano se confunde com o celestial e a beleza do viver deixa de ser efêmera para se tornar eterna. A capacidade para reinventar uma história, quiçá “o mundo” está inata em cada ser humano.

         Outros que faço destaque são: “Silencio de ouro”, seguido de “Lembrança” que o autor dedicou a sua mãe, que por final foi professora deste escriba. A quarta que indico para o leitor é “O caminho de cada um”, tão crua e real como a espada do lutador, ao mesmo tempo tão libertária e doce como o vôo de uma pomba. A quinta que indico, e é ela que quero transcrever é “Nostalgia”.
                                                            Ei-la:

                                                    NOSTALGIA

                                               Nós éramos jovens,
                                               confiantes e cheios de sonhos
                                               e tudo parecia tão fácil:
                                               bastava levantar barricadas
                                               gritar palavras de ordem
                                               e erguer os punhos revoltados.

                                               Sei que ninguém recupera
                                               a inocência perdida
                                               mas na alma do poeta
                                               o sonho nunca se acaba.

                                               Hoje olho para trás
                                               e com terna melancolia
                                               também sinto saudades
                                               do tempo em que nós íamos
                                               salvar o mundo.


       Poderia indicar também “O grande cansaço”, “Aquieta-te”, Os injustiçados” e outras tantas mas deixo que o leitor faça suas próprias escolhas.

     Parabenizo o criador de “O CRIADOR”, o nobre Julião Julu Guerra Neto, e desejo êxito em todos os seus projetos de vida, almejando que novas obras poéticas brotem de suas veias e que o público, apreciador da seara poética possa beber de sua fonte inesgotável de sapiência.
   
       Aproveitando a oportunidade, agradeço de coração a amiga e colega de trabalho Nery Lourenço da Silva, arcoverdense que dignifica o Poder Judiciário de Buíque e com muita eficiência exerce o cargo de chefe da Secretaria Judiciária local. Foi ela quem mais uma vez me presenteou com um belo livro, desta fez foi a obra aqui comentada. Obrigado Nery. Grande abraço a você e aos irmãos de Arcoverde.  



sábado, 25 de outubro de 2014

SESC LER DE BUÍQUE PROMOVE MAIS UMA EDIÇÃO DO "POETAS DAQUI" EM BUÍQUE E TUPANATINGA.

 


     Em sua agenda cultural, mais uma vez o SESC LER DE BUÍQUE vem executando o projeto POETAS DAQUI, que teve início no dia 07 de outubro e se estende até o dia 28 do corrente mês. Na programação, que além de Buíque está contemplando o município de Tupanatinga, várias Escolas estão sendo visitadas com o programa “UM ESCRITOR NA MINHA ESCOLA”, quando um escritor local é entrevistado por um mediador sobre sua vida e sua produção cultural. A conversa tem também a participação dos alunos, em sua grande maioria jovens e adolescentes.

         Outro evento incluído nessa programação é o chamado ‘INVASÃO POÉTICA”, quando vários poetas visitam diversas classes de determinada escola, declamando poemas e poesias ou cantando alguma canção do folclore brasileiro. A visita é encerrada com a coordenadora do evento apresentando os participantes e informando o objetivo da visita.

         No dia 07/10, às 09:00 horas a escola visitada como projeto “Um escritor na minha escola” foi a Vigário João Inácio e quem foi homenageado foi o poeta/compositor Alex Soares, componente do grupo musical Matutano Reggae que foi mediado por Érika. Alex contou um pouco de sua vida e seus projetos culturais. Já no dia 08, na mesma escola, o homenageado foi o professor/poeta Sivaldo Oliveira, que com a mediação de Sandra.

         No dia 09/10, foi a vez do grupo visitar a Escola Manoel Borba, na vizinha Tupanatinga. Desta feita, os homenageados com o projeto “Um Escritor na minha Escola” foi este poeta blogueiro, representando Buíque e a poetisa Socorro Gomes, representando o município anfitrião. Socorro além de excelente professora é uma exímia poetisa e tem se destacado naquele município na arte da poesia de cordel. O evento naquela cidade ainda contou com as participações de Joseane Cavalcanti, Leonardo (Léo) e Sivaldo Oliveira.

         A programação prosseguiu e ainda contou com vários eventos, inclusive o lançamento do livro “ESSÊNCIA”, segunda obra da escritora Irivanize Albuquerque, às 19:00 horas do dia 15.10, na Biblioteca Municipal Graciliano Ramos.


        No dia 16.10 (quinta-feira), às 19:30 horas, aconteceu o sarau “A Deusa Branca visita Buíque”, quando poetas de Tupanatinga visitaram nossa cidade e se apresentaram na Biblioteca municipal. Oficinas literárias com o escritor Pedro Américo de Farias, Bate papo literário, dentre outros.

                      Confira os eventos que ainda acontecerão

27 a 29 de outubro - Oficina de Minicontos com Fernando Farias - Centro Pastoral, das 09:0-0-às 12:00 horas.

29 de outubro, às 10:00 horas - Bate papo literário com mediação de Fernando Farias, na Biblioteca Municipal Graciliano Ramos.

      De parabéns está o Sesc Ler de Buíque, por sua diretora cultural Joseane Cavalcanti, que tem desenvolvido diversos projetos sempre incluindo as pessoas que produzem cultura em nossa terra, tão carente de apoio dos poderes públicos constituídos.              

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

NO PLENÁRIO DA UMA CÂMARA NASCE UMA ACADEMIA

    

    Na manhã de ontem, 23.10.2014, nasceu em nosso município a ACADEMIA BUIQUENSE DE LETRAS E ARTES, sigla ABLA, instituição cultural que visa reunir as diversas personalidades que produzem cultura em nosso município. Quer seja na escrita, na música, na poesia erudita ou popular, nas danças, nas artes plásticas, na cerâmica, etc, nosso povo agora tem uma instituição que pode nos representar de forma oficial. Na ocasião foi lido e aprovado o Estatuto e eleita a primeira diretoria que terá um mandado de três anos. Ficou ela assim constituída: Presidente: MANOEL MODESTO DE ALBUQUERQUE (Advogado, jornalista e escritor, idealizador da Academia), Vice presidente PAULO TARCISO FREIRE DE ALMEIDA (escritor e poeta), Secretário Geral: EUDES FRANÇA DOS SANTOS (musico), Tesoureiro: LEONARDO ROGÉRIO DA SILVA (poeta e produtor cultural), Secretária de Eventos: JOSEANE CAVALCANTI FERREIRA (produtora cultural e funcionária do Sesc Ler), Relações públicas ADAUTO NILO DA SILVA (produtor cultural e blogueiro). Conselho Fiscal: JOSÉ RILKE DE FARIAS VIEIRA (musico), FRANCISCO CARLOS DA SILVA ANDRADE (fotógrafo e blogueiro) e suplentes ROBERVAL RAMOS FERREIRA (Professor e Diretor de Cultura), ALEX SOARES DA SILVA (cantor e produtor cultural) e ROSA MARIA RAMOS DA SILVA (poeta e escritora). Prestigiaram o evento o secretário de Cultura de Buíque, Sr. BLÉSMAN MODESTO DE ALBUQUERQUE, a Sra. MIRIAN BRIANO ALVES, Vice-prefeita e secretária de obras de Buíque, o Popular Sr. LUIZ QUINCÓ, o Sr, ABEL, o vereador DODÓ e um grande numero de amigos e simpatizantes da cultura buiquense. De início foram executados pelo músico Eudes França, o popular Mutuca, os hinos nacional do Brasil e o de Buíque. Em seguida foi a vez do Dr. MANOEL MODESTO usar da palavra informando os motivos da reunião e apresentando o estatuto que foi lido e aprovado. Em seguida foi eleita e empossada a primeira diretoria e encerradas as formalidades que o ato requer o presidente eleito agradeceu o apoio de todos e facultou a palavra. Quem primeiro a usou foi o ilustre visitante, escritor JOSÉ CÉLIO GUIMARÃES, membro da Academia Pesqueirense de Letras, amigo de longas datas do colega Manoel Modesto, o qual parabenizou a todos e foi seguindo pelas Sras. MARIA RITA DE FREITAS, escritora e membra da Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira e MARIA ZÉLIA CAVALCANTI, escritora e poeta, membra da mesma sociedade pesqueirense, as quais além dos cumprimentos oficiais, brindaram os presentes com a declamação de poesias de suas autorias. Ainda usaram da palavra o Sr. Blésman Modesto, a Vice-prefeita Mirian Briano e praticamente todos os componentes da diretoria. Quem também surpreendeu os presentes foi o popular Everton Maciel, o popular Ton Ton, que além de parabenizar a todos pelo evento ainda declamou um lindo poema de sua autoria, enaltecendo os tempos do Buíque de sua infância. Quem também presenteou a todos com suas palavras e com uma bela poesia de Carlos Drumond de Andrade, foi a poetisa Denize Diniz e o Professor poeta Sivaldo Oliveira que declamou uma linda poesia exaltando o matuto nordestino. 

      O evento foi encerrado por volta das 13 horas. 

     Queremos agradecer a todos que nos apoiaram, quer se fazendo presentes, quer se filiando e o nosso desejo é alavancar a cultura de Buíque, não de forma isolada, mas unidos a todos que gostam e produzem cultura em nosso município. Esse foi apenas o primeiro passo, como diz o poeta "Toda caminhada começa no primeiro passo" que nos ajudem nessa longa caminhada. 

     Valeu Dr. Manoel, Joseane, Eudes (Mutuca), Alex, Denize,   Everton, Sandra, Ronaldo César, Sivaldo, Fabiana Araújo, Antonio de Pádua, Washington Sales, Adauto Nilo, Rosa Ramos, Vanusa Silva, professor Clécio, Michel Modesto, todos de forma geral que nos honraram com a sua presença e o seu apoio.      

sábado, 18 de outubro de 2014

MAIS UMA VITÓRIA PARA O PROFESSOR POETA CARLOS ALBERTO CAVALCANTI

       Com muito orgulho e alegria publico mais uma nova cultural. Desta feita a notícia que me chega é que o dileto amigo Carlos Alberto Assis Cavalcanti, professor da AESA - CESA conquistou mais uma classificação em festival poético realizado nas terras paranaenses.

        Como sempre acontece, a veia poética do amigo Carlos brota mais poesia do que as nascentes de água do rio São Francisco, brotam o precioso líquido, eis que este, conforme foi noticiado recentemente, estão secando, enquanto aquelas a cada dia nos surpreende com o que de mais belo existe na alma humana. Poesias. Confiram a notícia:


 SESC CORNÉLIO PROCÓPIO - PR C
DIVULGA RESULTADO
DO 30º FESTIVAL POÉTICO


Sesc Cornélio Procópio - PR, em parceria com o Rotary Club,  o Lions Club, a prefeitura, a Academia de Letras, Artes e Ciências de Cornélio Procópio e UTFPR, divulgou o resultado da 30ª edição do Festival Poético. Este ano, cerca de 1.183 poesias foram inscritas, no Brasil e até nos Estados Unidos.
O festival é um evento de grande porte, de nível nacional e internacional, em que recebe a participação de poetas famosos, tendo como objetivo a fomentação da leitura de textos poéticos, produção de textos, dividido em diversas categorias. O evento será finalizado com o cerimonial de premiação no dia 20 de novembro de 2014.

Categoria: ADULTO – Outras Cidades (236 poesias inscritas)
     CLASSIFICADOS                                                                                  CIDADE
1º: CARLOS ALBERTO ASSIS CAVALCANTI -Arcoverde/PE
2º lugar:Reginaldo Costa de Albuquerque.  Campo Grande–MS
3º lugar    Walbert Guimarães                        São Luis -MA
             

    LEITURA A QUATRO MÃOS
                                                 Carlos Alberto Cavalcanti
A cigana
lê a mão
nas entrelinhas
da fantasia
que enche o coração
do consulente
esperançoso.
A cada declaração,
revela os segredos
contidos nas linhas
da imaginação,
nem sempre os mesmos
das linhas das mão.
Assim, ela (pr)(d)escreve,
para o ouvinte atento,
seu próprio invento
de ambígua linguagem
que os dois engana
na mesma viagem.


Membros da Comissão Julgadora:
Profª. Dra. Diná Tereza de Brito – UENP - Universidade Estadual do Norte do Paraná - Campus Cornélio Procópio;
Profª. Dra. Edenir Haddad Santos – UENP – Universidade Estadual do Norte do Paraná - Campus C. Procópio;
Profª. Dra. Eliana Merlin Deganutti de Barros – UENP - Universidade Estadual do Norte do Paraná - Centro de Letras, Comunicação e Artes - Campus Cornélio Procópio;
Profª. Mestra Juliana da Silva Bello  - UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná;
Profª. Dra. Lilian Madi Ravazzi – UNESP - Universidade Estadual Paulista;
Profª. Doutoranda Rosângela B. Pimenta UTFP - Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Campus C. Procópio.

Dalva Ap. de Brito | Técnica de Atividades – Cultura SESC 
Av. Nossa Senhora do Rocio, 696
 86300-000 - Cornélio Procópio - PR
Tel: (43) 3520.5400  / 3520 – 5409.

Parabéns Professor Carlos e que venham novas premiações.  


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

PARABÉNS FERREIRA GULLAR. O MAIS NOVO "IMORTAL" DA ABL


    Na tarde de ontem, dia 09 de outubro, o poeta FERREIRA GULLAR foi eleito, em primeiro escrutínio, o mais novo “imortal”, membro da Academia Brasileira de Letras. Ele vai ocupar a cadeira de nº 37, que pertenceu ao poeta e tradutor Ivan Junqueira, morto em junho deste ano. Essa mesma cadeira já pertenceu a Silva Ramos (fundador), Getúlio Vargas, Chateaubriand e João Cabral de Melo Neto.

        Num total de 37 votos, 36 elegeram Gullar e um foi em branco. Os outros candidatos eram Ademir Barbosa Júnior, José Roberto Guedes de Oliveira e José William Vavruk, que poderão candidatar-se posteriormente, já que existem duas cadeiras vagas, portanto, passíveis de eleições, que são as deixadas pelos “imortais”  João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna, mortos duas semanas após Junqueira.
        A eleição para a cadeira deixada por João Ubaldo está marcada para o dia 23 de outubro. Já a que pertenceu a Suassuna acontecerá no dia 30 do mesmo mês. Quem também vai concorrer uma vaga, e, segundo informações é um dos favoritos é o escritor Zuenir Ventura.  
        A posse de Gullar acontecerá possivelmente no fim de novembro ou início de dezembro do ano em curso. Ele disse está muito feliz com a eleição, apesar de já esperar o resultado, pelo que os acadêmicos lhe disseram. “Mas na hora que acontece é diferente. Vira realidade mesmo, deixa de ser promessa”. Confidenciou.

“Foi uma eleição muito generosa. Ele foi escolhido com muito carinho. Foi um ingresso auspicioso. Ele entra nessa casa com sua poesia. O acolhemos com muita galhardia. Ele está entrando na instituição presidida por Machado de Assis”, disse a imortal Nélida Piñon, durante a tradicional queima de votos após a eleição.

        Nascido em 10 de setembro de 1930, em São Luis do Maranhão, Ferreira Gullar é um dos mais aclamados autores brasileiros vivos. É o pseudônimo de José Ribamar Ferreira. Publicou seu primeiro livro “Um pouco acima do chão” aos 19 anos de idade. Dentre suas principais obras estão: “A luta corporal” (1954), “Dentro da noite veloz” (1975), “Poema sujo” (1976) e “Na vertigem do dia” (1980). Seu mais recente é “Em alguma parte alguma”, que ganhou o prêmio jabuti de Livro do ano em 2011.

        Minha ligação com a poesia de Gullar veio através da musica de Fagner. O poema traduzir-se, transformado em canção, gravada no ano de 1981, foi e ainda é grande sucesso na voz do cearense. Eis o poema: 
                                TRADUZIR-SE
                         Ferreira Gullar

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa e pondera
Outra parte delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte? 

          Outro belo poema de GULLAR, transformado em canção e gravada pelo cearense Fagner no ano de 1984 foi “Cantiga pra não morrer”. Confiram:

         CANTIGA PRA NÃO MORRER

Quando você for se embora
Moça branca como a neve, me leve.
Se acaso você não possa me carregar pela mão,
menina branca de neve me leve no coração.
Se no coração não possa por acaso me levar,
moça de sonho e de neve, me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento, menina branca de neve,
me leve no esquecimento.


                            Ferreira Gullar


Mesmo distante, nossos mais sinceros cumprimentos ao novo “imortal” com votos de paz, saúde, êxito e muita, muita poesia.